Esperanza e Três Questões de Mulheres da Rua Mango

No trabalho de Sandra Cisneros A Casa na Rua Mango, a jovem Esperanza deve enfrentar as provações e tribulações que acompanham o crescimento. Esta tarefa assustadora se torna ainda mais difícil pela visão da sociedade sobre sua raça e gênero. Como uma adolescente latina que vive na Rua Mango, Esperanza deve se tornar uma versão de corte de biscoitos das mulheres a que ela é exposta diariamente. Esta, entretanto, não é a vida que Esperanza tem em mente para si mesma. Três questões de destaque parecem atormentar as mulheres da Rua Mango: um excesso de solidão (que por sua vez leva a outros excessos), a perda completa do potencial e uma desconfiança extrema em relação aos homens. Estes problemas parecem dar a Esperanza ainda mais motivação para deixar a Rua Mango e seguir seu próprio caminho.

Uma questão dominante que parece afetar várias mulheres na Rua Manga é um sentimento extremo de solidão. Isto é alimentado por vários fatores. Um desses fatores é o abandono. Rosa Vargas deve lidar com este sentimento horrível todos os dias de sua vida, devido ao fato de seu marido estar fugindo da família: ‘Eles são maus aqueles Vargases, e como podem ajudá-los com apenas uma mãe que está cansada o tempo todo… e que chora todos os dias pelo homem que partiu sem sequer deixar um dólar para a bolonhesa ou uma nota explicando como veio’ (Cisneros 29). Ela é obrigada a criar todos os seus filhos sozinha. Não se pode deixar de sentir-se só depois de uma situação como esta ter ocorrido em sua vida. Outra personagem menor que mostra um sinal de solidão é Cathy, a ‘rainha dos gatos’ (13). Ela tem algo negativo a dizer sobre tudo e todos na Rua Mango. Ela não tem amigos e parece compensar em demasia esta falta de companhia com uma abundância de gatos. Isto revela ainda mais que, embora se possa colocar um fa?ade de contentamento, pode haver apenas algumas questões profundas que precisam ser resolvidas dentro daquela pessoa.

Mais uma desvantagem que o gênero e a etnia colocam nas mulheres da Rua Mango é a perda total do potencial. Isto é aparente nas vidas da mãe de Ruthie e Esperanza. Ruthie é muito talentosa nas artes cênicas: ‘Ela não só é uma boa assobiadora, mas também sabe cantar e dançar’ (68). No passado, foram oferecidos a ela vários empregos, nenhum dos quais ela aceitou. Ela se casou e se mudou para fora da cidade, mas de alguma forma parece sempre voltar para estar com sua mãe Edna na Rua Mango. Parece que esta rua tem um controle sobre ela, do qual ela não pode se libertar. Isto faz com que Ruthie não seja mais do que ‘a única adulta que conhecemos que gosta de brincar’ (67). Mas talvez a maior perda de potencial se revele na forma da mãe de Esperanza, na vinheta intitulada A Smart Cookie. Neste episódio, a mãe de Esperanza é descrita como uma mulher muito bem rodeada, fluente em muitas áreas diferentes do conhecimento prático. Ela está descontente com sua vida porque teve que abandonar a escola em tenra idade. Ela vocaliza este sentimento de pesar em sua declaração: ‘Eu poderia ter sido alguém, sabe?’. (90). Ela explica à Esperanza, com desgosto, que a única razão pela qual ela teve que abandonar a escola foi por causa da falta de roupas bonitas. Não se pode deixar de sentir por ela nesta situação; devido a circunstâncias que ela não podia controlar, ela foi forçada a desistir de sua educação formal. Isto ilustra ainda mais as lutas socioeconômicas devido à etnicidade e à classe.

A terceira, e aparentemente mais pertinente, questão enfrentada pelas mulheres da Rua Mango é a completa desconfiança e, em certa medida, o medo do gênero masculino. Este tema parece afetar quase todas as meninas, adolescentes e mulheres na rua. Maridos, pais, colegas de trabalho e outros homens são todos retratados de forma negativa durante toda a novela. Os maridos mantêm suas esposas fechadas à chave, como no caso de Rafaela que ‘fica trancada dentro de casa porque seu marido tem medo que Rafaela fuja porque ela é bonita demais para olhar’ (79), e Sally, que ‘fica em casa porque ela tem medo de sair sem a permissão [de seu marido]’ (102). Os pais abusam de suas filhas: ‘[Alicia] não tem medo de nada, exceto de peles de quatro patas. E dos pais’ (32). A Esperança não pode sequer trabalhar ou se divertir sem que algo aconteça para acrescentar uma sensação razoável de mal-estar ao lidar com o sexo oposto. Seu incidente com o homem oriental em seu trabalho, juntamente com o suposto abuso dos palhaços vermelhos no carnaval, é mais do que suficiente para fazer a Esperanza ter desconfiança dos homens. As mulheres são vistas como nada mais do que objetos que os homens podem usar como quiserem.

Através de todas estas questões, no entanto. A Esperanza continua a ser uma vontade forte. Ela se recusa a se curvar às barreiras sociais e econômicas que têm retido tantos de seus anciãos. Ela até se recusa a agir da mesma forma que aqueles aos quais foi exposta: ‘Minha mãe diz: ‘Quando eu envelhecer, meus cabelos empoeirados vão assentar e minha blusa vai aprender a ficar limpa, mas eu decidi não crescer manso como os outros que colocam o pescoço na soleira esperando a bola e a corrente’ (88). Nesta declaração, ela se afasta da crença de que não pode realizar nada em sua vida e se recusa a se tornar uma dona-de-casa indefesa. À sua maneira, ela está tentando quebrar os estereótipos e três questões principais associadas à Mango Street e seus habitantes do sexo feminino. Madeleine K. Albright disse certa vez: ‘Há um lugar especial no inferno para as mulheres que não ajudam outras mulheres’. Dito isto, as ações de Esperanza devem certamente encher outras mulheres com um sentimento de esperanza em massa.